Frederico Luiz, Direto da Aldeia Global
Para enfrentar as cinco facções que comandam o crime organizado no Maranhão e diante da crise na administração penitenciária, ataques a ônibus, postos policiais e delegacias, a governadora Roseana Sarney concedeu uma espécie de licença para matar às suas polícias.
Como resultado dessa política de terrorismo, ontem à noite, tombou sem vida Liliane Vilas Boas, de 26 anos que estava grávida. Para a polícia, o marido da vítima integra uma facção que controla o bairro de Fátima na capital do Maranhão. A blogosfera apurou que a população local desmente que Márcio Patrão, como é conhecido, tenha alguma ligação com o Bonde dos 40 ou o Bonde dos 300, Primeiro Comando da Ilha, Primeiro Comando da Capital ou ainda Anjos da Morte.
A Polícia também tem uma licença especial para declarar qualquer morador ou moradora da periferia como autor ou autora material ou intelectual deste ou daquele crime. Basta apontar o dedo, mesmo sem prova alguma, como aconteceu no episódio de esclarecimento do assassinato da garota Ana Clara. A justiça corrigiu e soltou dois supostos envolvidos.
Na década de 1970 os esquadrões da morte dominaram a cena do País. No Maranhão não foi diferente. Em Imperatriz, a famigerada Operação Tigre matou entre tantos inocentes, os irmãos Noleto.
Embora nas redes sociais parte da sociedade simpatize com o assassinato de adolescentes e acusados de integrarem gangues ou facções, sempre questiona-se a validade deste tipo de ‘política pública’ quando inocentes, como a garota Ana Clara ou a grávida Liliane perdem a vida nos confrontos.
Enquanto isso, o estado devolveu 23 milhões para o governo federal de recursos para construção de penitenciárias. O orçamento da segurança pública foi reduzido em 2014 se comparado com 2013 conforme proposta da governadora Roseana aprovada pela maioria governista na Assembleia Legislativa.
O investimento em investigação e polícia científica também reduziu-se a pó. E quando acontece, resume-se à construção e ampliação de câmaras frigoríficas… neste caso, não para armazenar lagostas ou outros mimos palacianos.
O País tem exemplos de políticas públicas desenvolvidas para o combate à criminalidade e com resultados concretos, o Pacto pela Vída implantado em Pernambuco pelo governador Eduardo Campos diminuiu por sete anos seguidos os assassinatos em Recife. Neste caso, querer significa poder. Basta ter boa vontade.




Do Marrapá





